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      Trump diz que sua ameaça de bombardeio fez regime do Irã desistir de enforcar dissidentes

      Trump diz que decisão sobre o que vai acontecer com Irã sairá nos próximos 10 dias O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (2...

      Trump diz que sua ameaça de bombardeio fez regime do Irã desistir de enforcar dissidentes
      Trump diz que sua ameaça de bombardeio fez regime do Irã desistir de enforcar dissidentes (Foto: Reprodução)

      Trump diz que decisão sobre o que vai acontecer com Irã sairá nos próximos 10 dias O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (20) que, graças a ele, o Irã desistiu de enforcar dissidentes durante as manifestações contra o regime no início do ano. Segundo o republicano, o regime dos aiatolás estaria se preparando para enforcar 873 manifestantes, "muitos deles em praça pública". Após ele ameaçar um ataque contra o país caso tais punições ocorressem, porém, Teerã cancelou as execuções. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Trump realizou uma coletiva de imprensa à tarde para responder sobre a decisão da Suprema Corte americana de suspender o tarifaço imposto por sua gestão a outros países. Ao ser questionado sobre o Irã, ele disse que "é melhor que [o regime iraniano] negocie um acordo justo". "Mais de 32 mil pessoas foram mortas em um período relativamente curto de tempo", disse Trump, sobre o número de mortos nos protestos de dezembro e janeiro contra o regime dos aiatolás. Ele não informou de onde saíram esses número. "Eles iam enforcar algumas pessoas com um guindaste. Iam içar elas com um guindaste alto e as exibir na praça. Iam enforcar 837 pessoas", disse Trump. "E eu disse: se enforcarem uma pessoa sequer, uma só, serão punidos na hora. Eu não ia esperar duas semanas negociando. Eles desistiram do enforcamento. Supostamente, não enforcaram ninguém. Sinto muita pena do povo do Irã. Eles viveram no inferno." Mais cedo, Trump voltou a dizer que está considerando um ataque militar ao país. Atualmente, Teerã e Washington negociam um acordo que limite o programa nuclear iraniano. "Acho que posso dizer que estou considerando", afirmou o republicano, que vem pressionando o governo iraniano por um novo acordo sobre o programa nuclear do país. Na quinta-feira (19), na reunião inaugural do "Conselho da Paz", Trump já havia dito que o Irã precisa chegar a um "acordo significativo" nas negociações com os EUA nos próximos dez dias. Caso contrário, "coisas ruins acontecerão" e Washington "terá que dar um passo além". Segundo duas autoridades ouvidas pela agência de notícias Reuters nesta sexta, o planejamento militar em relação ao Irã atingiu um estágio avançado, com opções que incluem ataques contra indivíduos e, até mesmo, a busca por uma mudança de regime. Donald Trump AP/Evan Vucci Os oficiais americanos, que falaram sob condição de anonimato, não ofereceram detalhes sobre que indivíduos poderiam ser alvo de uma operação, ou como os militares dos EUA poderiam tentar realizar uma mudança de regime sem uma grande força terrestre. Um deles relembrou o sucesso de Israel em alvejar líderes iranianos durante a guerra de 12 dias com o Irã no ano passado, no entanto ressaltou que um ataque mirando indivíduos específicos requer recursos de Inteligência adicionais. "A guerra de 12 dias e os ataques israelenses contra alvos individuais realmente mostraram a utilidade dessa abordagem", disse o oficial americano, acrescentando que o foco estava naqueles envolvidos no comando e controle das forças da Guarda Revolucionária Islâmica. A possível busca por uma mudança de regime em Teerã representaria mais um afastamento das promessas de Trump durante a campanha presidencial: o de abandonar o que ele chamou de políticas fracassadas de administrações passadas, que incluíam esforços militares para derrubar governos no Afeganistão e no Iraque. Os sinais de que os EUA podem atacar o Irã A presença militar americana no Oriente Médio aumentou. Os EUA estariam preparados para atacar o Irã já neste fim de semana. Trump, porém, ainda não decidiu se autoriza a ação. As informações foram publicadas pela imprensa americana, como CNN, CBS e o jornal The New York Times. O "Wall Street Journal" informou na quarta-feira (18) que Trump foi apresentado a opções militares, "todas projetadas para maximizar os danos". Segundo o jornal, autoridades americanas não identificadas disseram que há a possibilidade de uma campanha para "matar dezenas de líderes políticos e militares iranianos", com o objetivo de derrubar o governo. Estados Unidos e Irã retomaram recentemente negociações sobre o programa nuclear iraniano, mediadas por Omã. Trump já vinha ameaçando ação militar após a repressão violenta a manifestantes em janeiro. Uma segunda rodada ocorreu na terça-feira (17), em Genebra. A Casa Branca informou que houve "pequenos avanços" diplomáticos. "Seria muito sensato da parte do Irã fechar um acordo com o presidente Trump e o governo", disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. Na quarta-feira, em publicação na rede Truth Social, Trump voltou a sugerir um possível ataque ao Irã. Ele alertou o Reino Unido contra a renúncia à soberania sobre as Ilhas Chagos, no Oceano Índico. "Caso o Irã decida não fazer um acordo, pode ser necessário que os Estados Unidos usem Diego Garcia e a pista aérea em Fairford para erradicar um possível ataque de um regime altamente instável e perigoso", escreveu, citando a base aérea em Diego Garcia, nas Ilhas Chagos. Retirada de pessoal Uma combinação de imagens de satélite mostra um aumento no número de aeronaves na Base Aérea de Muwaffaq Salti, em Al Azraq, Jordânia, comparando 16 de janeiro e 2 de fevereiro de 2026 PLANET LABS PBC/Handout via REUTERS Segundo a CBS, o Pentágono começou a retirar parte do pessoal do Oriente Médio. A medida seria preventiva, diante de possíveis ações ou contra-ataques iranianos. Parte dos militares segue para a Europa e para os Estados Unidos. O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, pediu nesta quinta-feira que cidadãos poloneses deixem imediatamente o Irã. Também orientou que, "em hipótese alguma", alguém viaje para o país. Segundo ele, a possibilidade de conflito armado é "muito real". "Daqui a algumas horas, daqui a 12 horas ou a algumas dezenas de horas, ninguém poderá garantir opções de retirada", disse Tusk. "Aconselho a todos a levarem isso muito a sério." LEIA TAMBÉM Na 1ª reunião do Conselho da Paz, Trump diz que decidirá sobre o Irã em ‘cerca de 10 dias’ Milei viaja aos EUA e oferece tropas ao Conselho da Paz de Trump em meio a greve geral na Argentina EUA acusam China de teste nuclear secreto e elevam tensão entre potências Movimentação Os porta-aviões USS Abraham Lincoln e um B-52H Stratofortress da Força Aérea dos Estados Unidos realizaram manobras conjuntas em junho de 2019 Brian M. Wilbur/Forças Armadas dos EUA Washington mantém 13 navios de guerra no Oriente Médio: um porta-aviões, o USS Abraham Lincoln; nove destroieres; e três navios de combate litorâneo. Outros estão a caminho, segundo um oficial americano. Os navios estão equipados com mísseis Tomahawk. São os mesmos usados para atacar duas instalações nucleares iranianas em junho passado, segundo o New York Times. Também contam com sistemas de defesa aérea. O USS Abraham Lincoln, com quase 80 aeronaves, está a cerca de 700 quilômetros da costa iraniana, segundo imagens de satélite divulgadas no domingo (15). O USS Gerald R. Ford, maior porta-aviões do mundo, aproximava-se nesta quarta-feira do Estreito de Gibraltar. Ele deve se unir ao USS Abraham Lincoln, informou o New York Times. O navio é acompanhado por três destroieres e deve chegar ao destino até o fim de semana. É raro haver dois porta-aviões dos Estados Unidos no Oriente Médio. Eles transportam dezenas de aviões de guerra e são tripulados por milhares de marinheiros. Os EUA tinham dois desses navios na região em junho de 2025, quando atacaram três instalações nucleares iranianas durante a campanha de 12 dias de ataques de Israel contra o Irã. A frota inclui ainda caças F-22 Raptor, F-15 e F-16, além de aeronaves de reabastecimento KC-135, usadas para sustentar operações. As informações são de contas de inteligência de código aberto (Osint) na rede social X e do site Flightradar24. Na quarta-feira, o Flightradar24 mostrou vários KC-135 voando perto ou no Oriente Médio. Também havia aeronaves de alerta e controle (Awacs) E3 Sentry e aviões de carga operando na região. Repressão pelo regime iraniano Carros passam por outdoor que mostra porta-aviões americano bombardeado no centro de Teerã, capital do Irã ATTA KENARE / AFP Trump ordenou o envio do USS Abraham Lincoln enquanto o Irã reprimia protestos. As manifestações começaram por queixas econômicas e se transformaram em um movimento contra a República Islâmica. A liderança clerical, no poder desde a Revolução Islâmica de 1979, respondeu às manifestações com força letal. Parte da oposição considera uma intervenção externa como o fator mais provável de mudança. Trump havia alertado repetidamente o regime iraniano de que, se matasse manifestantes, os Estados Unidos interviriam militarmente. Ele também encorajou os manifestantes iranianos dizendo que "a ajuda está a caminho". O presidente norte-americano recuou da ordem de ataques no mês passado, dizendo que Teerã havia suspendido mais de 800 execuções sob pressão de Washington. No entanto, desde então, renovou as ameaças ao Irã. Exercício militar com a Rússia Irã divulga imagens de exercícios militares da Guarda Revolucionária Islâmica no Estreito de Ormuz em 17 de fevereiro de 2026. Wana via Reuters O Irã tem buscado demonstrar seu poderio militar e realizou exercícios militares com a Rússia nesta quinta-feira. As manobras ocorreram no Golfo de Omã e no Oceano Índico, com o objetivo de "aprimorar a coordenação operacional, bem como a troca de experiências militares", informou a agência de notícias estatal Irna. Imagens divulgadas posteriormente pelo Irã mostraram membros das forças especiais navais da Guarda Revolucionária embarcando em um navio durante o exercício. Acredita-se que essas forças já foram usadas para apreender embarcações em rotas internacionais. A Guarda Revolucionária também iniciou exercícios com munição real no Estreito de Ormuz. Na terça-feira, a TV estatal informou que Teerã fecharia partes da hidrovia durante os exercícios. Pelo local passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Políticos iranianos ameaçam com frequência bloquear o estreito. A teocracia iraniana está sob pressão após 12 dias de ataques israelenses e americanos contra instalações nucleares e militares em 2025. Também enfrenta o desgaste após protestos em massa em janeiro, reprimidos com violência. Ainda assim, o país mantém capacidade de atacar Israel e bases americanas na região. O governo iraniano afirma que qualquer ataque pode desencadear uma guerra regional. VÍDEOS: mais assistidos do g1