Trump demite procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi
Procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, depõe em audiência do Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados em 11 de fevereiro de 2026. REUTERS/Kent Nishimura O ...
Procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, depõe em audiência do Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados em 11 de fevereiro de 2026. REUTERS/Kent Nishimura O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (2) que Pam Bondi não é mais a procuradora-geral dos EUA. Considerada um dos nomes fortes do governo, Bondi chefiava o Departamento de Justiça, principal órgão de aplicação das leis federais no país. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp 👉 Contexto: o Procurador-Geral dos Estados Unidos é o chefe do Departamento de Justiça (DOJ), responsável por supervisionar a aplicação das leis federais e atuar como principal conselheiro jurídico do presidente. Além disso, representa o governo federal na Suprema Corte. Segundo relatos de funcionários da Casa Branca, ouvidos de forma anônima pela imprensa americana, Trump estava frustrado com o trabalho de Pam Bondi por dois motivos principais: Trump acreditava que Pam Bondi não estava agindo com rapidez suficiente para processar críticos e adversários que ele queria que respondessem criminalmente. O presidente também ficou insatisfeito com a forma como ela lidou com os arquivos do caso Jeffrey Epstein - alvo de crítica até de sua base de apoiadores mais fiéis. Durante seu mandato como principal autoridade policial dos EUA, Bondi foi uma defensora combativa da agenda de Trump e desmantelou a longa tradição do Departamento de Justiça de independência em relação à Casa Branca em suas investigações. Publicamente, Trump elogiou Bondi ao anunciar sua saída. Em um post na sua rede social Truth Social, o presidente disse que ela passará a atuar no setor privado e afirmou que Todd Blanche, adjunto da procuradora, assumirá o cargo interinamente. "Pam Bondi é uma grande patriota americana e uma amiga leal, que serviu fielmente como minha Procuradora-Geral durante o último ano. Pam fez um trabalho excepcional supervisionando uma repressão massiva ao crime em todo o país, com os homicídios caindo para o nível mais baixo desde 1900. Amamos Pam, e ela fará a transição para um novo emprego muito necessário e importante no setor privado, cuja data será anunciada em breve, e nosso Procurador-Geral Adjunto, um jurista muito talentoso e respeitado, Todd Blanche, assumirá como Procurador-Geral interino", afirmou. Pam Bondi, aplaudindo Donald Trump, 10 dias antes de sua saída do governo REUTERS/Kevin Lamarque Quem é Pam Bondi Antes de ocupar o cargo de procuradora-geral, Pati Bondi foi lobista e procuradora-geral da Flórida. Nascida em Tampa, na Flórida, foi procuradora-geral do estado entre 2011 e 2019, primeira mulher a ocupar o cargo. Antes disso atuou como promotora Gabinete do Procurador do Estado do Condado de Hillsborough, também na Flórida, por 18 anos Em paralelo, Bondi também tem um histórico longo como apoiadora de Trump: foi uma das primeiras, entre os atuais aliados do presidente eleito, a declarar apoio a ele, no início de 2006, na primeira prévia entre os pré-candidatos republicanos. Foi também advogada de Trump em seu primeiro processo de impeachment, em 2019, em que o republicano foi absolvido. E virou comentarista do canal norte-americano Fox News, sempre defendendo o agora presidente eleito. Bondi era um dos principais nomes do novo governo Trump. Isso porque, durante sua campanha, o republicano ameaçou retaliar adversários, e democratas temiam que ele aparelhasse o Departamento de Justiça com aliados para poder usá-lo a seu favor. Sua nomeação sinalizou a intenção de Trump de remodelar o Departamento de Justiça, que o republicano acusou de parcialidade partidária durante a gestão do democrata Joe Biden. LEIA TAMBÉM: Caso Epstein: procuradora-geral dos EUA é flagrada com 'dossiê' de arquivos acessados por deputada, e democratas denunciam 'espionagem ultrajante' Caso Epstein: procuradora-geral dos EUA é intimada a depor Trump indica Pam Bondi para a Procuradoria-Geral dos EUA Barbie do ICE foi a primeira baixa do governo Trump No dia 5 de março, Trump anunciou a primeira demissão de seu governo. Kristi Noem deixou o cargo de secretária de Segurança Interna e foi substituída pelo senador americano Markwayne Mullin, republicano de Oklahoma. "Tenho o prazer de anunciar que o altamente respeitado Senador dos Estados Unidos pelo grande Estado de Oklahoma, Markwayne Mullin, assumirá o cargo de Secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), a partir de 31 de março de 2026", afirmou. Republicanos se juntam aos democratas e pedem a cabeça de Kristi Noem, a 'Barbie do ICE' Kristi Noem e Markwayne Mullin g1; Reuters O anúncio foi feito através de um post na rede Truth Social. Nele, Trump disse que agora Noem será enviada especial do governo e elogiou as ações dela, principalmente na fronteira do país, para diminuir o número de imigrantes no país: "A atual Secretária, Kristi Noem, que nos serviu muito bem e obteve inúmeros e espetaculares resultados (especialmente na fronteira!), passará a ser Enviada Especial para o Escudo das Américas, nossa nova Iniciativa de Segurança no Hemisfério Ocidental, que anunciaremos no sábado em Doral, Flórida. Agradeço a Kristi por seu serviço". Mullin é senador por Oklahoma desde 2023 e foi lutador de MMA antes de decidir migrar para a política.