Quênia confirma oitavo caso de ebola enquanto surto avança no Congo
Um profissional de saúde caminha dentro de um centro de tratamento para pacientes com ebola em Beni, na província de Kivu do Norte, no leste do Congo, na quar...
Um profissional de saúde caminha dentro de um centro de tratamento para pacientes com ebola em Beni, na província de Kivu do Norte, no leste do Congo, na quarta-feira, 7 de outubro de 2026. AP/Sebastien Kitsa Musayi O Quênia confirmou mais um caso de ebola neste domingo (18), elevando para oito o total de infecções no país, enquanto o surto na vizinha República Democrática do Congo chegou a uma oitava província. O avanço da doença em diferentes regiões mantém as autoridades em alerta para a disseminação do vírus. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O novo caso no Quênia é de um homem de 49 anos que não trabalha na área da saúde. Ele apresentou febre, dor de cabeça e dores musculares, segundo Patrick Amoth, diretor-geral de Saúde do país, em entrevista à emissora queniana Citizen TV. "Hoje, 38 pessoas foram testadas, e uma delas teve resultado positivo para ebola", disse Amoth. "Ele apresentou febre, dor de cabeça e dores musculares." Agora no g1 Na República Democrática do Congo, o Ministério da Saúde confirmou dois casos em Nord-Ubangi, província do norte do país que faz fronteira com a República Centro-Africana. ➡️ Um dos pacientes morreu. Os dois eram homens na faixa dos 20 anos e viviam na área de Wapinda, próxima à província de Bas-Uele, onde já haviam sido registrados casos da doença. Novo caso no Quênia teve contato com paciente anterior Segundo Amoth, o homem infectado no Quênia era acompanhante de um paciente e fazia a limpeza de utensílios e roupas de cama. Ele provavelmente foi exposto ao vírus por meio do primeiro caso registrado no país, no início de outubro. O primeiro paciente era um homem que viajou da República Democrática do Congo para Nairóbi, capital queniana, e morreu em um hospital em 5 de outubro. O homem de 49 anos começou a apresentar sintomas no sábado. Ele foi separado das outras pessoas que estavam em quarentena e submetido a um teste para detectar o vírus. O resultado positivo foi confirmado no domingo, segundo uma fonte do Ministério da Saúde ouvida pela Reuters. Surto no Congo já deixou mais de 4.500 mortos Na República Democrática do Congo, o surto foi declarado em meados de maio e já provocou pelo menos 9.400 casos e mais de 4.500 mortes, segundo os dados apresentados pelas autoridades. É o surto mais mortal da história do país. Além de se espalhar para uma oitava província, o vírus foi registrado em outros países da região. Uganda declarou posteriormente estar livre da doença, enquanto o Quênia confirmou o oitavo caso neste domingo. Até o momento, a República Centro-Africana não registrou casos confirmados. “Observamos que, em geral, os focos de ebola estão diminuindo, mas, infelizmente, a doença está se espalhando geograficamente”, disse Mohamed Yakub Janabi, diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, em entrevista à Associated Press na sexta-feira, em Beni, no leste do Congo. Segundo Janabi, um dos principais desafios é convencer as pessoas infectadas a procurar atendimento médico. Algumas mortes, afirmou, ocorrem nas próprias comunidades, antes que os pacientes cheguem a uma unidade de saúde. Congo anuncia restrições para conter a transmissão A agência estatal de notícias ACP informou neste domingo que as autoridades de Kivu do Norte vão restringir, a partir de segunda-feira (19), a entrada de pessoas vindas de Ituri por uma semana. Segundo a OMS, a transmissão do vírus continua significativa em Kivu do Norte. Também serão proibidos veículos com mais de duas pessoas em uma motocicleta ou quatro em um carro. Grandes aglomerações públicas serão suspensas, incluindo eventos esportivos de massa, atividades em casas noturnas e manifestações políticas. O surto é causado pelo vírus Bundibugyo, uma variante rara do ebola para a qual não há vacina nem tratamento aprovados. Entre os fatores que dificultam o controle da epidemia estão o deslocamento de grandes grupos de pessoas, a violência de grupos rebeldes, a desconfiança da população e as condições precárias de trabalho dos profissionais que atuam diretamente no combate à doença. *Com informações da Associated Press e da Reuters