PIX, corrupção, ações contra big techs e até desmatamento: os argumentos do governo Trump para novo tarifaço contra o Brasil
Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros O governo Trump utilizou uma série de argumentos para aplicar o novo tarifaço de 25% cont...
Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros O governo Trump utilizou uma série de argumentos para aplicar o novo tarifaço de 25% contra o Brasil nesta quinta-feira (16). Os fatores indicados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) variam entre os aspectos econômico, jurídico e até ambiental. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A tarifa adicional contra os produtos brasileiros foi confirmada na madrugada desta quinta-feira, e a medida entrará em vigor em 22 de julho. Veja os itens afetados e os isentos. Segundo o USTR, o tarifaço é resultado de uma investigação que concluiu que "várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos". Veja abaixo os argumentos utilizados pelo USTR para a aplicação do tarifaço: PIX; Corrupção no Brasil; Ações do STF contra as big techs; Tratamento injusto na política de tarifas brasileira; Proteção inadequada à propriedade intelectual; Tarifas sobre o etanol; Desmatamento. Veja mais abaixo o que o USTR falou sobre cada um desses assuntos. Apesar do tarifaço ser uma medida econômica, o governo Trump tem indicado que a medida tem caráter político. Isso pode ser visto tanto na gama de argumentos utilizados pelo USTR, que não envolvem apenas fatores econômicos, quanto uma acusação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de que o governo Lula de "não negociar de boa-fé". O presidente Lula repudiou a nova tarifa aplicada pelos EUA e afirmou que aplicará a Lei de Reciprocidade em resposta. Leia aqui como funciona essa lei. Argumentos para novo tarifaço O presidente dos EUA, Donald Trump, na Cúpula de Defesa e Inovação da Pensilvânia, na Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos, em Carlisle, Pensilvânia, EUA, em 15 de julho de 2026. Reuters/Kylie Cooper Sobre o PIX, o USTR afirmou que o banco central brasileiro "desfavoreceu provedores de serviços de pagamentos eletrônicos dos EUA, ao mesmo tempo em que favorece seu sistema nacional". Sobre a corrupção, o USTR alegou que "não é algo novo" no Brasil, porém o país "se afastou ainda mais das normas globais relacionadas ao combate ao suborno e à corrupção". O gabinete citou um Índice de Percepção da Corrupção (CPI) da Transparency International, em que a máquina pública brasileira teria pontuado apenas 35 de 100 pontos possíveis. Sobre as ações contra as big techs, o USTR falou em "comércio digital" para incluir tais medidas no balaio, e relembrou ordens de restrição emitidas pelo STF nos últimos anos contra algumas redes sociais, como o bloqueio Rumble e uma suspensão temporária do X. Essas restrições foram justificadas pela Justiça brasileira por conta das plataformas terem se recusado a cumprirem leis do país ou ordens de retirada de conteúdo. Sobre a política de tarifas brasileira, o USTR acusou o Brasil de adotar "tratamento injusto e preferencial", e publicou um gráfico que supostamente mostraria favorecimento ao México e à Índia, em detrimento dos EUA. LEIA TAMBÉM: 'Olho por olho, dente por dente?' O que diz a Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra novo tarifaço dos EUA 'Aprofundamento da ruptura antes das eleições' e 'altos riscos': como a imprensa internacional noticiou tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil Rubio acusa Lula de não negociar tarifas: 'Colocou o próprio ego à frente de um acordo' Sobre a proteção à propriedade intelectual, o USTR afirmou que o Brasil "não oferece proteção adequada e eficaz à propriedade intelectual ou acesso justo e equitativo ao mercado para pessoas dos Estados Unidos que dependem de propriedade intelectual", porém sem dar mais detalhes. Sobre o etanol, o USTR afirmou que o Brasil "descontinuou seu tratamento tarifário anteriormente equilibrado para o etanol dos EUA e falhou em corresponder às tarifas norte-americanas ao etanol brasileiro". Sobre o desmatamento, o USTR publicou um infográfico animado que mostraria o índice de desmatamento de florestas no Brasil entre 2001 e 2018, porém sem fonte para os dados, e afirmou que "as práticas de desmatamento no Brasil tornam mais difícil para a indústria madeireira dos Estados Unidos competir de forma justa nos mercados globais". Agora no g1