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      Líder supremo do Irã diz que assinatura de Trump não têm valor e prega unidade nacional

      Um mês após acordo, EUA bombardeiam Irã pelo 7º dia seguido; petróleo tem a maior alta desde abril O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afi...

      Líder supremo do Irã diz que assinatura de Trump não têm valor e prega unidade nacional
      Líder supremo do Irã diz que assinatura de Trump não têm valor e prega unidade nacional (Foto: Reprodução)

      Um mês após acordo, EUA bombardeiam Irã pelo 7º dia seguido; petróleo tem a maior alta desde abril O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou neste sábado (18) que os Estados Unidos voltaram a descumprir compromissos assumidos no acordo de paz durante a guerra no Oriente Médio e disse que a assinatura de um presidente americano "não tem valor nem credibilidade". A declaração foi publicada em uma conta ligada ao gabinete de Khamenei na rede social X. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp "A repetida violação dos compromissos do Grande Satã em relação ao acordo, mais uma vez, revelou a verdade: a assinatura do presidente dos Estados Unidos tem tão pouco valor e credibilidade quanto as palavras e a conduta enganosas, traiçoeiras e brutais do regime americano", diz a publicação. Na mensagem, os EUA são chamados de "Grande Satã", expressão utilizada com frequência por autoridades iranianas desde a Revolução Islâmica de 1979 para se referir ao país. Em uma sequência de publicações, Khamenei também fez um apelo à unidade nacional diante da escalada do conflito. Segundo ele, "um dos princípios mais importantes neste momento é insistir na unidade de palavra e na união sagrada em todos os níveis". O líder iraniano acrescentou que preservar a unidade e evitar divisões é dever tanto das autoridades quanto da população e que diferenças políticas e sociais não devem comprometer a coesão do país. Em outra mensagem, Khamenei declarou confiar nos comandantes militares e afirmou que eles trabalham "pela prosperidade e felicidade da nação", acrescentando que permanecerá atento para garantir a defesa dos interesses do Irã. O aiatolá também afirmou que os Estados Unidos estão pagando um preço cada vez maior pela escalada da guerra. "Agora que o inimigo americano pagou um preço cada vez mais alto por alimentar a guerra e suportar seus pesados custos, a querida nação iraniana e a frente de resistência sabem que os dias em que os Estados Unidos podiam ignorar essas consequências chegaram ao fim. A bravura dos combatentes do Islã e a coragem do povo de Haifa mostraram isso nos últimos dias", escreveu. Khamenei afirmou que os Estados Unidos deveriam saber que a nação iraniana e a “frente de resistência” têm “lições inesquecíveis” para lhes ensinar. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, exaltou a mensagem de união do líder supremo: "A adesão às exigências da unidade sagrada e a rejeição à discórdia e à divisão são a chave para a vitória nesta conjuntura histórica". Nova escalada do conflito A manifestação ocorre em meio ao agravamento do conflito entre os dois países e poucas horas depois de Teerã anunciar que suspendeu os compromissos assumidos em um acordo temporário de paz firmado com Washington cerca de um mês atrás. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou à televisão estatal que os EUA descumpriram os termos do entendimento e, por isso, o governo iraniano "não está mais implementando" suas obrigações. Até o momento, não houve novos avanços nas tentativas de mediação. Enquanto isso, os confrontos continuam. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que realizou, pela sétima noite consecutiva, ataques contra instalações de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e capacidades marítimas iranianas. Segundo a mídia estatal iraniana, bombardeios americanos atingiram usinas elétricas e instalações de dessalinização na província de Hormozgan, no sul do país. A agência IRNA afirmou que uma usina de dessalinização foi destruída, interrompendo o abastecimento de água para cerca de 10 mil pessoas, enquanto outra foi danificada na estratégica ilha de Qeshm, localizada no Estreito de Ormuz. Os ataques também atingiram pontes e túneis em rotas de acesso ao porto de Bandar Abbas, principal terminal marítimo iraniano e ponto estratégico próximo ao estreito. Do outro lado, o Irã intensificou os ataques contra países da região. As autoridades do Kuwait informaram que mísseis iranianos atingiram uma instalação de petróleo e uma usina de dessalinização, provocando incêndios e deixando feridos. O país, que depende da dessalinização para cerca de 90% de sua água potável, também precisou fechar temporariamente seu espaço aéreo. Além do Kuwait, Iraque, Jordânia, Bahrein e Arábia Saudita relataram interceptações de drones e mísseis iranianos ou acionaram sistemas de defesa aérea durante o sábado. Disputa pelo Estreito de Ormuz O conflito também elevou a tensão em torno do Estreito de Ormuz, passagem por onde, antes da guerra, transitava cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Após o início dos confrontos, o Irã restringiu o tráfego marítimo na região e passou a defender que o estreito fique sob seu controle exclusivo, cobrando taxas das embarcações. A medida reduziu significativamente a circulação de navios e voltou a pressionar os preços internacionais do petróleo. Em resposta, Donald Trump, voltou a ameaçar atacar infraestrutura estratégica iraniana, como usinas de energia e pontes, e restabeleceu um bloqueio naval aos portos do país para dificultar as exportações de petróleo. Antes do início da guerra, Washington e Teerã negociavam um novo entendimento sobre o programa nuclear iraniano. Com a escalada militar, porém, as conversas foram interrompidas e o conflito segue sem perspectiva de cessar-fogo. *Com informações da agência Associated Press Donald Trump e Mojtaba Khamenei Chip Somodevilla/via Reuters; Hamed Jafarnejad/ISNA/WANA/Reuters