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      'Latino-americano frustrado' x 'passa pano para Maduro': relembre as trocas de farpas entre Lula e Marco Rubio

      O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em montagem. Reuters Após os Estados Unidos confirmarem a ap...

      'Latino-americano frustrado' x 'passa pano para Maduro': relembre as trocas de farpas entre Lula e Marco Rubio
      'Latino-americano frustrado' x 'passa pano para Maduro': relembre as trocas de farpas entre Lula e Marco Rubio (Foto: Reprodução)

      O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em montagem. Reuters Após os Estados Unidos confirmarem a aplicação de tarifas 25% sobre produtos brasileiros, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma publicação nas redes sociais na madrugada desta quinta-feira (16), Rubio acusou Lula de "colocar seu próprio ego" à frente de tentativas de acordos entre os dois países e disse que o brasileiro não agiu de boa-fé. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Mas as ofensas não foram as primeiras proferidas por Rubio contra Lula, que também já criticou algumas vezes o secretário de Estado norte-americano, um conservador filho de cubanos nascido na Flórida. Relembra, abaixo, as trocas de farpas entre os dois: 'Passa pano para Maduro' Em 2023, quando era senador republicano pelo estado da Flórida, Marco Rubio acusou Lula de encobrir supostas atividades criminosas do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. "O Lula da Silva do Brasil é o mais recente líder de extrema-esquerda a passar pano para a natureza criminosa do narcorregime de Maduro, dias após se reunir com o Pres. Biden. Sob a fraca política externa do governo Biden, tiranos em nossa região se sentem encorajados a buscar apoio internacional", escreveu Rubio em uma postagem em suas redes sociais. Initial plugin text 'Curva-se à China' No mesmo ano, Marco Rubio questionou o respeito de Lula à democracia ao dizer que o brasileiro pensa primeiro "em si mesmo" ao "se curvar ao regime genocida da China". Rubio também criticou Lula por um encontro com o chanceler russo durante a guerra da Ucrânia — depois disso, no entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, se reuniu pessoalmente com o presidente russo, Vladimir Putin. "Lembram quando Democratas e a imprensa liberal afirmavam que Lula era um aliado da 'democracia'? Eles deveriam lembrar que Lula está em busca de si mesmo e do Brasil, mesmo que isso signifique se curvar ao regime genocida da China e receber o chanceler de uma nação que lidera uma guerra injustificada contra a Ucrânia", escreveu Rubio em suas redes sociais. 'Latino-americano frustrado' Lula também criticou o secretário norte-americano em diferentes ocasiões, a maioria delas neste ano, após as ameaças dos EUA de aplicarem novas tarifas a produtos brasileiros. Em junho deste ano, o brasileiro chamou Rubio de "latino-americano frustrado" ao comentar ameaças do governo Trump de aplicar uma nova leva de tarifas ao Brasil, confirmadas na noite de quarta-feira (15). "Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e menos ainda do Brasil. Ele (Marco Rubio) é um latino-americano frustrado", afirmou Lula, durante reunião ministerial. Lula não falou mais sobre Rubio na ocasião, mas deu a entender que fazia referência ao histórico pessoal do secretário norte-americano, cujos pais deixaram Cuba — a saída de sua família da ilha, no entanto, ocorreu antes que Fidel Castro impusesse um regime comunista no país. 'Anti-América Latina' Um dia antes dessa declaração, Lula também havia criticado a relação de Rubio com a América Latina: "Faz pouco tempo que fui aos EUA, o tal do Marco Rubio é anti-América Latina. Já disse ao Trump que ele [Rubio] não gosta do Brasil. Ele não estava na reunião", afirmou Lula, em referência ao encontro que teve com Trump no início de maio. 'Certo desconhecimento sobre o Brasil' Na mesma semana, Lula contou ainda que, durante telefonema com Trump, pediu que o Marco Rubio conversasse "com o Brasil sem preconceito" e apontou um "certo desconhecimento" por parte do secretário sobre o Brasil. "Ele [Trump] disse que o Marco Rubio vai conversar com o pessoal (ministros brasileiros), eu pedi para ele dizer ao Marco Rubio para conversar com o Brasil sem preconceito com o Brasil, porque pelas entrevistas que ele deu há um certo desconhecimento sobre o Brasil", disse Lula. 'Não agiu de boa fé' Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros Em publicação nas redes sociais nesta quinta, Rubio também acusou Lula de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos. "Para que não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociariam com os EUA de boa-fé", escreveu o secretário. Rubio também disse achara que o presidente brasileiro colocou "o próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro" e que "as tarifas são o preço por isso". Secretário de estado dos Estados Unidos deixa claro que as motivações do tarifaço partem de uma análise política. Reprodução / X 👉 As declarações reforçam a leitura, já defendida por integrantes do governo brasileiro, de que a decisão tem um componente político. No entanto, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela investigação que resultou no tarifaço, rejeitou o argumento. Em entrevista coletiva após a divulgação da medida, uma autoridade do USTR negou que a sobretaxa tenha sido motivada por divergências políticas com o governo Lula. "Eu rejeito isso totalmente. Não se trata de gostar ou não das decisões políticas de outro país", respondeu o representante americano ao ser questionado pela TV Globo sobre o caráter político da decisão. Ainda de acordo com a autoridade, as conversas com o governo brasileiro permaneceram abertas durante todo o processo e ocorreram em tom cordial. "Temos conversas bastante cordiais com nossos interlocutores brasileiros. Na verdade, são as únicas pessoas com quem converso. Não estou mantendo discussões com outras pessoas no Brasil", afirmou. O governo brasileiro alegou que o Brasil manteve diálogo com o governo de Donald Trump e fez várias tentativas de reuniões para evitar o tarifaço. Em maio de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos EUA, Donald Trump, reuniram-se na Casa Branca para debater a agenda comercial. Dias após o encontro, o Representante Comercial dos Estados Unidos realizou uma reunião virtual com o Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Fernando Elias Rosa. Em julho, durante as audiências do USTR para discutir se aplicaria o tarifaço ao Brasil, o governo brasileiro enviou representantes aos encontros. USTR detalha críticas ao Brasil após anúncio da tarifa Professora do Insper analisa os efeitos do novo tarifaço na economia brasileira O USTR divulgou nas redes sociais uma longa lista de argumentos para justificar a medida. Segundo o órgão, o Brasil adota há décadas práticas que prejudicam empresas americanas, favorecem produtores brasileiros e restringem o acesso de exportadores dos EUA ao mercado brasileiro. Entre as críticas apresentadas estão o desmatamento ilegal na Amazônia, decisões judiciais envolvendo plataformas digitais americanas, tarifas preferenciais concedidas a países como México e Índia, falhas na proteção da propriedade intelectual, dificuldades de acesso ao mercado brasileiro de etanol e o funcionamento do sistema de pagamentos PIX. Na área ambiental, o órgão afirmou que a exploração ilegal de madeira na Amazônia contribui para reduzir os preços internacionais do produto e prejudica a competitividade da indústria madeireira americana. O USTR também alegou que algumas esferas de governo no Brasil têm reduzido incentivos voltados ao combate ao desmatamento. Entidades do setor industrial demonstram preocupação com novo tarifaço Em relação ao comércio digital, os americanos criticaram decisões de tribunais brasileiros que determinaram a remoção de conteúdos de plataformas como X, Meta e Google, além da suspensão de contas e da aplicação de multas em caso de descumprimento das ordens judiciais. O governo americano também afirma que o Brasil oferece tratamento tarifário preferencial a países como México e Índia em centenas de produtos, com alíquotas inferiores às aplicadas aos exportadores dos Estados Unidos. Outro ponto citado foi a proteção à propriedade intelectual. O USTR lembra que o Brasil permanece desde 2007 na chamada "Watch List" do relatório Special 301, documento anual que monitora países considerados problemáticos na proteção de patentes, marcas e direitos autorais. Lula e Trump se encontraram pela última vez na Casa Branca em maio Ricardo Stuckert / PR LEIA TAMBÉM: EUA anunciam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; veja itens que serão afetados ou isentos Após EUA anunciarem novas taxas ao Brasil, governo diz que decisão é 'marco lastimável' nas relações entre os dois países Marco Rubio em depoimento na Câmara dos Representantes do s EUA REUTERS/Evelyn Hockstein